Sábado Reviews The Sympathizer

Eduardo Pitta reviews The Sympathizer by Viet Thanh Nguyen for the Portuguese publication, Sábado.

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O autor vietnamita ganhou o Pulitzer de Ficção com este romance de estreia, que chegou agora às livrarias portuguesas

Com O Simpatizante, o seu primeiro livro, Viet Thanh Nguyen (n. 1971) ganhou o Pulitzer de Ficção 2016. Nguyen tem origem vietnamita, mas radicou-se com a família nos Estados Unidos quando se deu a queda de Saigão. Depois deste romance publicou um ensaio sobre o Vietname. Antes havia publicado contos na imprensa.

Sem surpresa, a intriga é um melting pot da actualidade, de histórias com referentes biográficos que Nguyen terá ouvido aos pais (ele era uma criança de 4 anos quando deixou o país onde nasceu), e de metaficção. Um compósito de livro de espionagem apimentado por reminiscências da guerra, e de busca de identidade num país novo.

O narrador anónimo é um oficial vietnamita refugiado em Los Angeles, doublé de espião e proprietário de uma loja de bebidas, um intelectual (autor de uma tese sobre Graham Greene), enfim, um homem cheio de contradições, filho ilegítimo de um padre francês. A primeira frase diz tudo: “Sou um espião, um infiltrado, um malsim, um homem de duas faces. Não será porventura uma surpresa que também seja um homem de duas mentes.” O segundo parágrafo abre com a famosa citação de Eliot: “Abril, o mês mais cruel.” Saigão, a terra devastada, implodia com fragor.

Na precipitação da retirada de Saigão, veio tudo: gente comum, militares de alta patente sul-vietnamitas, agentes duplos, informadores de Thang, os pais de Nguyen, uma das centenas de famílias que foram instaladas em Fort Indiantown Gap, um campo de refugiados na Pensilvânia.

Não admira que Nguyen utilize o livro para, ao mesmo tempo que exorciza os fantasmas do narrador (que volta ao Vietname para defender os seus ideais), revisita a América profunda dos anos 70 e 80: cinema, música, tiques geracionais. Tudo sem ignorar as previsíveis comparações com o Vietname, personalidade das mulheres incluída. A actualidade está presente ao longo da narrativa: “Recostado na sua cadeira de junco, com uma t-shirt branca e umas calças de caqui, e os tornozelos perfeitos à mostra porque não usava meias com os sapatos de vela, era tão cool como um gelado…” Em suma, a escrita de Nguyen prende o leitor em velocidade cruzeiro.

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